O Hidrogênio está em alta. Ele tem sido mais desejado que os gases nobres, embora não tenha este selo. Acabou se tornando o solteiro mais cobiçado, porque ele é a promessa do futuro, tem poderes dos deuses: de construir um mundo melhor. Sua potência é colossal, pois somente ele é capaz de salvar o planeta Terra.

O Hidrogênio vem do grego hidro + genes, que significa gerador de água. O símbolo dele é o H maiúsculo e se apresenta sozinho na tabela periódica, ou seja, o cara é daqueles príncipes que não se misturam. Não existe uma família separada para ele na tabela, simplesmente porque ele não tem propriedades características semelhantes a nenhum outro elemento, nenhum outro grupo. Ele é mesmo diferenciado.

Afirmar que o hidrogênio pode salvar o planeta pode parecer clichê, mas não é. Nosso planeta Terra, hoje, tem sofrido piedosamente os danos causados pelo excesso de gás carbônico (CO2) despejado na atmosfera. E ela expressa o seu sofrimento nas chuvas desordenadas, como a de Belo Horizonte deste ano, ou no calor excessivo que temos vivenciado. E de onde vem esse gás- carbônico? Vem principalmente do escape de nossos carros. Em outras palavras, nossos carros são predominantemente movidos a gasolina, que é um combustível fóssil. Este, quando queimado nos motores através da combustão, gera essa descarga maligna no ambiente. E a Terra sofre. E nós, em contrapartida.

O hidrogênio é a solução para estancar esse processo daninho. Primeiramente, ele é extremamente abundante na Terra, no seu estado natural, o H. Contudo, para solucionarmos a queima de combustível fóssil (petróleo, carvão e gás natural) precisamos de hidrogênio no seu estado gasoso, o H2: a molécula de hidrogênio. E ela está presente abundantemente na água, que é a maior fonte do planeta, a H2O. Em outros termos, a composição de toda a água terrestre

tem dois átomos de hidrogênio (formando a molécula de H2) mais um átomo de oxigênio. Mas o H2 (o hidrogênio gasoso) não é produzido na natureza, e portanto, temos maneiras de produzi- lo, e uma delas pode ser um processo chamado eletrólise.

Neste artigo explicarei o que é ELETRÓLISE de água. Em seguida, apresentarei um espectro que vai do MICRO, passando pelo MÉDIO até chegar ao MACRO, para mostrar a magnitude da empregabilidade do H2. Explico: na prática, darei três exemplos de aplicabilidade desse príncipe colossal, desta verdadeira promessa de futuro limpo, que é o HIDROGÊNIO.

Eletrólise

Eletrólise é uma reação forçada por uma corrente elétrica: então, a eletrólise precisa consumir, ou alimentar-se de energia elétrica para funcionar. Além disso, para que ela ocorra, precisar-se-á de um recipiente chamado cuba-eletrolítica com dois eletrodos (de platina ou de grafita) inertes, e água. A fonte de energia externa é uma bateria, que gera a corrente elétrica. A partir dessa introdução de energia dentro da água, ocorrem reações químicas que irão separar o hidrogênio gasoso H2 do Oxigênio O2. Portanto, através da ELETRÓLISE, nós conseguimos gerar HIDROGÊNIO gasoso.

Em termos de aplicabilidade de HIDROGÊNIO, trago uma visão crescente, para termos uma ideia de até onde o H2 já pode chegar nos dias atuais:

Visão Micro - Célula a Combustível (Célula de Hidrogênio)

Uma CÉLULA A COMBUSTÍVEL pode ser entendida simplesmente como uma PILHA, ou bateria, (com um cátodo e um ânodo) que gera eletricidade. Ela transforma energia química (gases) em energia elétrica, ou seja, ao ser alimentada pelo gás HIDROGÊNIO (combustível) e combinar-se com o oxigênio do ar (comburente), produzirá energia elétrica, e como resíduo, ou subproduto, irá gerar apenas vapor de água. Isso mesmo: apenas água! Não existe emissão de gás-carbônico que produz o efeito estufa, nem de enxofre, que gera a chuva ácida. A célula de hidrogênio gera energia limpa. E o planeta agradece.

Detalhes:

1. A energia elétrica gerada pela CÉLULA DE HIDROGÊNIO, que é conduzida por um fio, pode alimentar qualquer dispositivo elétrico que você instale nele: pode acender uma lâmpada, ligar um liquidificador, um carro elétrico ou até mesmo uma usina.

2. O subproduto gerado com a combinação de hidrogênio (que precisa ser abastecido) com oxigênio (que vem da atmosfera) é a água, e, se ele sofrer eletrólise, ela além de não

poluir o meio-ambiente, ainda poderá reabastecer a própria célula de hidrogênio, através da eletrólise – como vimos acima, a eletrólise quebra o hidrogênio e o oxigênio da água e dessa maneira, essa pilha pode ser autossuficiente.

Visão Medium - Carro a Hidrogênio

Ele existe: seu nome é MIRAI, e claro, é da visionária Toyota. Parece com o Prius, no entanto ele não é nem elétrico e nem a combustão – ele funciona através da célula de combustível que é o HIDROGÊNIO.

Como vimos acima, para o MIRAI funcionar, ele precisará de uma bateria e de um motor elétrico. Mas essa bateria não é de íons de lítio, como na maioria dos carros elétricos, e este carro também não carrega na tomada. Seu abastecimento é feito com a célula de combustível, que é composta de duas pilhas de hidrogênio, o qual é colocado sob pressão, junto ao oxigênio. Então ele gera energia que carregará as baterias e o motor elétrico.

Infelizmente o carro a hidrogênio ainda não é popular: no Brasil ainda não temos. Hoje você encontra nos Estados Unidos e no Japão.

Vantagens:

1. O tempo de abastecimento é uma vantagem frente aos elétricos: enquanto estes precisam de uma média de 40 minutos para ter 80% da carga completa, o MIRAI precisa de 5 minutos para encher o tanque. É necessário, apenas, que a pessoa se dirija a um posto, como o de gasolina. Esse processo, além de ser rápido, não tem cheiro. 2. Quem compra um MIRAI nos Estados Unidos ganha um incentivo de 15.000 dólares da

Toyota, em combustível. As revisões também são de graça durante o período de 3 anos. 3. É um carro extremamente silencioso e é potente como os elétricos. 4. É um veículo que não polui: a descarga só expele água. 5. Até 2025 o governo da Califórnia, juntamente com as montadoras, pretende ter 200

postos de hidrogênio no estado. 6. Assim como acontece com os carros elétricos e híbridos, os carros movidos a hidrogênio também dispõem de regalias como faixa diferenciada no trânsito com menos engarrafamento e vagas privilegiadas em shoppings.

Desvantagens:

1. Nem todo posto tem hidrogênio, então é preciso se programar. Caso você more em San Francisco, nos EUA, encontrará três postos que possuem HIDROGÊNIO: mas eles não estão no centro da cidade. 2. O MIRAI ainda não é um carro barato nos Estados Unidos: custa mais de 50.000 dólares.

Porém, equivale ao preço de alguns elétricos como o Tesla Model 3.

O concorrente do MIRAI é o NEXO, da coreana Hyundai e custa 70.000 dólares.

Visão Macro - Cidade a Hidrogênio

Por fim, no ano que vem a Toyota lançará uma cidade para 2000 pessoas viverem, totalmente movida a H2, mais precisamente, a célula de hidrogênio. Será um ecossistema totalmente conectado. E embora seja uma cidade inteligentemente conectada à tecnologia, é mandatório que os moradores saiam para praças e conversem mais, se conectem pessoalmente, e vivenciem a verdadeira felicidade e produtividade.

A cidade funcionará como um laboratório vivo onde pesquisadores terão a chance de desenvolver estudos sobre AI, mobilidade pessoal, robótica, casas smart e novas tecnologias, imersos num ambiente do mundo real. A infraestrutura será composta somente de construções com tetos de painéis fotovoltaicos de energia solar, e abaixo do solo estará a estrutura completa da cidade, incluindo o estoque de energia de hidrogênio, além do sistema de filtragem da água: uma rede totalmente conectada aos prédios e lares que ficam em cima.

É a Woven city, a cidade-tecido, 100% limpa, ao lado do Monte Fuji, que elegeu Sua Alteza, o HIDROGÊNIO, para dar continuidade ao plano de ação macro que salvará o nosso planeta.